Foi preciso o time do Flamengo ser praticamente eliminado do Estadual para a dura verdade da fragilidade do elenco ser exposta, na véspera do Dia da Mentira. Após uma humilhante derrota por 2 a 1 para o Audax, neste domingo, em Moça Bonita, o técnico Jorginho jogou a toalha sobre as pretensões de classificação na Taça Rio, e internamente o foco da direção se voltou de vez para buscar reforços visando ao Brasileiro.

- Não é novidade: a gente precisa de reforços, mas tem que ter tranquilidade para não fazer besteira. Estamos pagando um alto preço por um planejamento de longo prazo, mas está sendo calculado. Me colocaram aqui pra eu ter coragem de fazer mudanças para termos um grupo para o Brasileiro – afirmou o treinador, depois de mais um jogo recheado de novidades na escalação.
A mudança no comando praticamente zerou o trabalho feito pelo técnico Dorival Júnior, que antecedeu Jorginho e deu cara ao time. Agora foi a vez de Renato Santos e Nixon serem testados entre os titulares, e o treinador deixou claro que o momento é realmente de testes.
- A gente sempre pensou num planejamento a longo prazo. Mas já começamos o segundo turno perdendo, e agora as coisas se tornaram muito difíceis. Tem que começar a pensar na Copa do Brasil. Vamos começar a ajustar a equipe, ver com quem podemos contar e assim definir o grupo pro Brasileiro – disse Jorginho, que define hoje a relação dos que viajam para encarar o Remo na próxima quarta-feira.
Ao embarcar no ônibus na saída do estádio, o técnico e os jogadores não escaparam de protestos da torcida. Entre os cantos entoados, pedidos por jogadores de qualidade e o tradicional “time sem vergonha”. Sobrou inclusive para Jorginho, hostilizado.
Entre os atletas, o discurso foi curto e grosso.
- É hora de calar a boca e jogar mais – pedia o apoiador Ibson, barrado novamente pelo treinador.
- Não adianta o meu começo de ano ter sido bom se o do Flamengo está ruim – emendou Rafinha.
Por hora, a torcida poupa os garotos das hostilidades. Até quando, não se sabe.