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Disputa de agentes por joia da base do Flamengo pode acabar na Justiça


Ex-agente de Douglas Baggio lamenta postura do atacante, que rompeu com ele, assinou com Carlos Leite e vendeu parte dos direitos econômicos



Atacante revelação do Flamengo da categoria juvenil, Douglas Baggio conhece a praia de Copacabana. (Foto: Janir Júnior / Globoesporte.com)Douglas Baggio está nos juniores do Flamengo
Revelação da base do Flamengo, Douglas Baggio chamou a atenção no ano passado pelo número de gols feitos na categoria juvenil do clube. Em 57 partidas, ele marcou 72 vezes. Promovido aos juniores, a joia continua em alta. É o artilheiro do Carioca da categoria com oito gols em nove jogos. Fora de campo, no entanto, virou pivô da primeira polêmica da curta carreira.


O ex-agente do jogador, Alexandre Fagundes, diz que foi passado para trás pelo garoto, que completou 18 anos no mês passado. O empresário conta que recebeu uma notificação extrajudicial do pai de Douglas, chamado João, nos primeiros dias de janeiro. O documento, que chegou por e-mail, cancelava a procuração assinada pelo responsável do jogador e o contrato de representação, que iria até novembro de 2013. Além do rompimento, um aviso: a partir daquele momento, Carlos Leite passaria a ser o dono de 17,5% dos direitos econômicos da promessa. O ex-empresário planeja ir à Justiça.

- Está na mão do meu advogado, ele vai tomar providência. Tínhamos uma procuração assinada pelo pai e o contrato de representação. Fizemos um trabalho muito forte, agora foi tudo por água abaixo. Foi um antigo empresário dele, um tal de Constantino, lá do Recife, que manipulou o pai. Desconfiava que esse Constantino não estava sozinho. Não me surpreende ser o Carlos Leite, já fez isso com diversas pessoas. Já fez isso com outros jogadores, outras empresas. Acho que tem o prazer de fazer até. No dia que recebi a notificação, ele (Douglas) estava no meu carro. Disse que foi obrigado pelo pai a assinar com outro empresário, mas não acredito nisso. Tirou o corpo fora. O pai dele fica no Recife, é porteiro lá. O Douglas disse que quando fizesse 18 anos resolveria isso, mas não deu satisfação, não ligou para ninguém.

Segundo Alexandre Fagundes, o pai do jovem recebeu a quantia de R$ 300 mil pela venda da fatia dos direitos. O Flamengo é dono de 50%, enquanto a MFD possui 32,5%. Douglas é natural do Recife e passou pelo CFZ antes de chegar ao Flamengo. Foi durante a passagem de Zico pelo departamento de futebol, em 2010, que ele se transferiu para o Rubro-Negro.  

Em contato com a reportagem do GLOBOESPORTE.COM, Carlos Leite preferiu não comentar o assunto. O empresário ganhou espaço no Flamengo neste ano com a chegada do diretor executivo Paulo Pelaipe. Das cinco contratações feitas pela diretoria até aqui, ele só não participou do acerto com Carlos Eduardo e João Paulo. O volante Elias, o meia-atacante Gabriel e o zagueiro Wallace são representados por ele.
Citado por Alexandre Fagundes, o empresário Constantino Macieira Júnior rebateu as acusações e disse que o assédio sobre o jogador começou da parte de Alexandre e seu sócio, Marcos Seixas.
- Eu sempre acompanhei o Douglas, desde os 15 anos. Levei ele para o Rio, colocamos ele no CFZ e por méritos foi chamado pelo Flamengo, pois existia a parceria Flamengo-CFZ na época. Em função da minha localização, moro no Recife, a gente não tinha como fazer o acompanhamento próximo. Esse garoto começou a ser assediado por Marcos Seixas e Alexandre Fagundes, que são sócios. O garoto começou a ganhar laptop, telefone. Após algum tempo, começaram entrar em contato com o pai do garoto, convenceram o pai a assinar um documento que até hoje ele não sabe o que é. Depois, soubemos que se tratava de um contrato de agenciamento e procuração. Como ele era menor, sabíamos que eram nulos em função das alterações da Lei Pelé. Revertemos o jogo. Eles tentaram roubar o garoto de mim. O garoto passou a trabalhar de novo comigo. Eles ficaram revoltados com isso, pois na cabeça deles acham que fizeram o Douglas se transformar no que é hoje. Se o Alexandre vai para Justiça, problema dele - disse Constantino.
Sobre a participação de Carlos Leite na negociação, Constantino disse que foi ele quem procurou o empresário para propor uma parceria.

- Em função de saber como era o mercado no Rio, me aconselhei com um advogado amigo meu para que me apresentasse alguém que trabalhasse com grandes atletas. Foi quando ele me indicou o Carlos Leite. Nós é que procuramos o Carlos para fazer uma parceria com ele. Para que ele, em conjunto comigo, cuidasse da carreira do Douglas. Não poderia deixar o Douglas sozinho no Rio de Janeiro. Eu tenho contrato com o atleta, maior de 18 anos, e divido com o Carlos Leite. O pai do Douglas não recebeu dinheiro algum. A família detém 17,5% dos direitos econômicos. Se ele vier a ser vendido no futuro, o dinheiro vai para os pais. Se um dia o Douglas for negociado por meu intermédio ou dele (Carlos Leite), o comissionamento vai ser dividido entre nós dois.

Alterações na Lei Pelé (nº 9.615, de 1998), aprovadas em março de 2011, estabelecem que são inválidos os contratos que tratam do gerenciamento da carreira de atleta em formação com idade inferior a 18 anos.

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